Sexta, 15 Dezembro 2017

A mobilidade urbana está mudando?

“Seguramente a cidade de São Paulo está passando por grandes alterações na mobilidade urbana. A implantação da ciclo faixa e a redução de velocidade nas principais vias tem mudado o comportamento dos paulistanos.”

Com a globalização é inevitável que experiências bem-sucedidas possam percorrer o mundo, no caso da Mobilidade Urbana a cidade de São Paulo tem vivenciado uma série de mudanças e com destaque e grande movimentação da opinião pública para a implantação da ciclo faixa e a redução de velocidade nas marginais e principais vias de circulação desta grande metrópole.

Existe uma tendência mundial para estas duas ações, entretanto, no Brasil como não podia ser diferente nos parece que faltou planejamento e principalmente um melhor debate com a sociedade quanto a estas mudanças.

E inevitável afirmar que tanto a priorização da ciclo faixa como a redução de velocidade são medidas e ações imprescindíveis nos grandes centros urbanos para a preservação da vida, porém, sem o devido cuidado e planejamento corre-se o risco de banalizar ou comprometer a eficácia destas ações.

Nos parece que a Prefeitura de São Paulo tinha metas em implantar o maior número de quilômetros de ciclo faixas na cidade e neste cenário não se preocupou com a infraestrutura destas pistas, com os cruzamentos e com a segurança tanto do ciclista, como do pedestre.

Quanto a redução de velocidade não é permitida aos motoristas superar os 70 km/h na pista expressa. As críticas mais contundentes são para a redução de 70 km/h para 50 km/h nas pistas locais.

Segundo especialistas e técnicos da Prefeitura de São Paulo, os novos limites trarão benefícios como maior fluidez e segurança. Segundo dados divulgados pela Prefeitura, os acidentes nas Marginais custaram a vida de 73 pessoas e deixaram 1.399 feridas em 2014.

Mas parece que esses números não comoveram motoristas e entidades. Nas redes sociais chovem críticas alegando que tudo não passa de uma “indústria da multa”. Até a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) entrou com representação na Justiça contra a medida.

Segundo a Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes de Trânsito, um veículo circulando a 50 km/h necessita de 45 metros para conseguir parar – levando em conta o tempo de reação do motorista. Caso esteja a 70 km/h, a distância percorrida aumenta para 70 metros. Além do maior espaço de frenagem, uma colisão a 70 km/h tem sérias consequências mais sérias e alta taxa de letalidade.

Com velocidades mais baixas, principalmente na via local, é inegável que haverá uma diminuição na gravidade dos acidentes. Fato que já serve para justificar os novos limites.

Reduzir os limites de velocidade é uma medida emergencial, corretiva, para forçar os motoristas a dirigirem dentro dos limites, mesmo que a via tenha um desenho que o induza a acelerar. Por isso os motoristas frequentemente desrespeitam os limites de velocidade ou aceleram e depois freiam próximos aos radares: pois a geometria e o desenho da via não são condizentes com a velocidade regulamentada.

É certo que a Prefeitura de São Paulo segue uma tendência mundial de impor restrições e novos hábitos na mobilidade urbana com o propósito de valorizar e preservar vidas, entretanto, nos parece que faltou um maior diálogo e debate com a sociedade sobre este novo cenário.

Observando toda esta mudança de comportamento da sociedade, as vezes por imposição legal e outras por uma tendência natural como a mais recente que aponta o desinteresse do jovem em se habilitar para conduzir veículos automotores, é que temos que estar atentos e sensíveis a este novo cenário, até porque é dever das Autoescolas/CFCs transferir este novo contexto aos futuros condutores de veículos automotores.

Porém, cabe ao poder público assumir suas responsabilidades e ser o grande protagonista dessas mudanças. É preciso investir na formação de melhores motoristas e motociclistas, executar e divulgar campanhas educativas e preventivas, projetar e manter em boas condições nossas vias, priorizar sua atenção ao cidadão e ao pedestre e, só então, fiscalizar e punir os infratores.

 

Por: Magnelson Carlos de Souza